Leia também:
X No Rio de Janeiro, veículo de deputado do PSL é alvo de tiros

Afipe se desliga do padre Robson e recupera parte de doações

Instituição tomou medidas para desvincular-se do líder religioso envolvido em denúncias de corrupção

Paulo Moura - 03/03/2021 10h34 | atualizado em 03/03/2021 10h56

Padre Robson de Oliveira Foto: Reprodução

Após o envolvimento do nome do padre Robson de Oliveira em um escândalo do suposto desvio de dinheiro doado por fiéis, em setembro do ano passado, a Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe) decidiu desvincular-se do líder religioso que criou e presidiu a instituição há até pouco tempo.

As decisões envolveram a eleição de uma nova diretoria e a retirada de imagens do padre de divulgações da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), criada e presidida até então por ele, pois sentiu no bolso os efeitos da investigação do Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO).

Após a polêmica, a associação chegou a perder 80% da arrecadação, que costumava ser de R$ 20 milhões em média por mês, provenientes das doações feitas por devotos. Após iniciar o processo de rompimento de vínculos com a imagem de padre Robson, a instituição conseguiu conter a queda brutal e já arrecada algo em torno de 50% do que recebia antes.

A presença da imagem e do nome de padre Robson no site e nas redes sociais da associação, algo bastante explorado antes do escândalo, foi reduzida bruscamente. Informações sobre a vida e a trajetória do famoso clérigo, que constavam no site, já não estão mais lá. O nome de Robson deixou de ser citado até em textos institucionais, referentes à criação da Afipe, idealizada por ele em 2004.

O mesmo ocorre com as notícias antigas, nas quais ele era citado. Elas foram excluídas. Nas buscas ao nome do padre no site da Afipe, aparecem apenas quatro menções: duas sobre a decisão do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) de trancamento do processo do qual ele é réu, algo que está em apreciação no Superior Tribunal de Justiça (STJ), e duas repercutindo entrevistas do atual presidente da associação, o padre André Ricardo de Melo.

Em nota, a Nova Afipe ainda informou que procurou recompor-se nos últimos cinco meses com dinheiro da reserva financeira, a qual estaria próxima de chegar ao fim. De acordo com o levantamento feito pelo MPGO, a Afipe recebia em média R$ 20 milhões por mês em doações. A obra do novo santuário, avaliada inicialmente em R$ 100 milhões, está orçada hoje em R$ 1,4 bilhão.

– A nova diretoria, composta por representantes da Província Redentorista de Goiás e da Arquidiocese de Goiânia, tem realizado incansavelmente a tarefa de encontrar soluções para os problemas financeiros da Associação, principalmente por meio da redução de custos e [do] enxugamento das estruturas – pontua o texto.

Questionada pelo site Metrópoles sobre o motivo da retirada das informações referentes ao padre Robson do site da associação, a Nova Afipe disse que agora adota um discurso institucional, sem destacar ações de “um indivíduo ou outro”.

– A quem se entregou ao trabalho evangelizador, toda a reverência e o respeito, mas a Congregação do Santíssimo Redentor, em Goiás e no mundo inteiro, age não por meio de um indivíduo ou outro, mas por meio de seu corpo missionário, ou como costumam chamar, por meio de uma “comunidade apostólica” – completa a nota.

Leia também1 Em áudio, padre Robson acusa ex-diretor da Afipe de extorsão
2 Padre Robson: Andamento de ação penal está nas mãos do STJ
3 Em áudio, padre Robson pede morte de desafeto: 'Uma bênção'
4 Damares nega pedido de anistia de membro da cúpula do PT
5 MP-GO denuncia padre Robson e outras 17 pessoas

Siga-nos nas nossas redes!
WhatsApp
Entre e receba as notícias do dia
Entrar no Grupo
Telegram Entre e receba as notícias do dia Entrar no Grupo
O autor da mensagem, e não o Pleno.News, é o responsável pelo comentário.