O quê? País europeu aposta em hambúrguer de grilo

Ocidente ainda tem resistência em incluir insetos no prato

Pleno.News - 16/01/2019 10h31

Insetos são muito consumidos na Ásia Foto: Pixabay

Um ano depois de a União Europeia (UE) dar mais um passo na aceitação de insetos como alimento, o consumidor ocidental ainda não rompeu a barreira psicológica para “enfrentar” esses bichos como refeição, uma aposta pioneira na Bélgica, primeiro país europeu a explorar seu potencial alimentício.

Em 2013, a Bélgica abriu passagem no mercado ao autorizar uma lista de dez insetos para consumo humano, cinco anos antes de a UE dar sinal verde a uma nova política para agilizar as autorizações de novos alimentos.

Uma das impulsoras desta iniciativa é Maïté Mercier, criadora da Little Food, a primeira fazenda urbana em Bruxelas de criação e produção de grilos, que se encarrega também de sua transformação para aperitivos, bolachas salgadas e molhos.

– A ideia era encontrar uma proteína “verde” para os consumidores sensibilizados com o meio ambiente e os aspectos nutricionais da alimentação, e propor uma alternativa à carne que forneça diversificação aos pratos – explicou a bioengenheira.

No futuro, Maïté espera lançar um hambúrguer de grilos, que já produziu em pequena escala, embora tenha admitido que é “cedo demais para isso”, porque é preciso uma maior sensibilização que amplie o nicho de mercado e o potencial desta pequena empresa, ainda financiada com fundos próprios e com um faturamento aproximado de 200 mil euros (quase R$ 849 mil) anuais.

Consciente de que na Europa muitos consumidores não estão dispostos a comer o inseto inteiro – é comercializado tostado ou preparado com especiarias – esta fábrica começou agora a produzir uma farinha que pode servir de ingrediente para pão, bolachas, bolos, e como condimento para saladas e batidas.

Já em 2013, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) lembrou que os insetos fazem parte da dieta de pelo menos 2 bilhões de pessoas no mundo.

– Durante os meus estudos, vi que tínhamos um problema de saúde e ecológico quanto ao consumo de carne. Pensei nas algas e nos insetos como alternativa, mas acho que estes últimos se encaixam melhor na nossa cultura culinária e são mais interessantes em nível gustativo – explica Maïté.

Segundo a FAO, os insetos são consumidos em 112 países, e em alguns, como a Tailândia, foi desenvolvida uma indústria em torno do tema, enquanto no México os chapulines (espécie de gafanhoto) fazem parte do consumo popular. No entanto, na Europa são exceção Bélgica, Áustria, Finlândia, Reino Unido, Holanda e, fora da UE, a Suíça.

Na Espanha, só é permitido o consumo de insetos produzidos em alguns países estrangeiros, entre eles a Bélgica.

Das quase duas toneladas de grilos tostados ou processados que a Little Food produz, 80% vão parar no mercado nacional e o restante é comercializado para o exterior.

Por enquanto, este mercado está praticamente restrito a lojas de produtos ecológicos.

Maïté explicou que, “sem saber”, o consumidor europeu já incluiu o inseto em sua dieta, através de substâncias como o corante vermelho extraído da conchinilha, popular para a fabricação de jujubas, sobremesas e substitutos do peixe, um recurso também utilizado em cosmética.

– Culturalmente não temos o costume, mas temos muitos vínculos com os insetos. Comemos mel, que é produzido por um inseto, e crustáceos como os camarões e o caranguejo são da mesma família. Os grilos são os camarões da terra – diz a bioengenheira.

A FAO listou mais de 1,6 mil espécies de insetos comestíveis, entre eles grilos, gafanhotos, bichos-da-seda e baratas de água.

No entanto, Maïté afirmou que muitos países ainda não investem nessa área porque a Agência Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) se mostrou cautelosa em sua análise sobre o potencial dos insetos na mesa e esperam que a aprovação de uma legislação europeia que autorize diretamente sua produção e consumo.

Os defensores desta tendência consideram que se trata de um “super alimento”, devido ao seu alto conteúdo de proteínas, vitaminas e minerais, e dizem também que para sua produção é necessário um consumo menor de água e energia, um caminho ainda a se explorar na UE.

*Com informações da Agência EFE

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